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>[26.jun.08]
“Open Innovation”
Izabel
Guimarães Michelato
“No séc. XXI não é necessário
ser grande para ser bom e ter sucesso. A inovação
aberta é distribuída; envolve colaboração
entre empresas e entre empresas e universidades. Se
houver engajamento, é possível ter sucesso
mesmo sendo uma pequena ou média empresa”.
Foi com essa frase que o professor Henry Chesbrough,
da Universidade da Califórnia - Berkeley, inaugurou
sua palestra no Seminário “Open Innovation”,
no dia 16 de junho de 2008.
O Prof. Chesbrough é o principal
defensor do conceito de inovação aberta.
Inovação é a busca por boas e novas
idéias que tenham aplicação comercial.
A inovação aberta é a busca por
essas idéias úteis em qualquer lugar,
as quais não precisam surgir necessariamente
dentro da empresa, pelo contrário, podem vir
de fora, de outra empresa ou da universidade, por exemplo.
O que importa não é apenas ter a idéia,
mas obter sucesso no mercado com o uso dessa idéia.
Há cinqüenta ou cem anos
atrás, os centros de Pesquisa e Desenvolvimento
(P&D) estavam concentrados nas grandes empresas
(com mais de vinte e cinco mil funcionários).
Era decisivo ter idéias surgindo e se desenvolvendo
em seus centros de pesquisa. Hoje, há um novo
equilíbrio, em que as pequenas e médias
empresas podem concorrer com as grandes empresas e fazer
grande parte do cenário de P&D, mesmo sem
ter um centro de pesquisa dentro da empresa. Como isso
é possível?
Primeiramente, de acordo com os princípios
da inovação aberta, pela mobilidade dos
funcionários de tempos em tempos. Eles devem
respeitar as cláusulas de confidencialidade de
seus contratos, entretanto, o conhecimento e experiência
adquiridos estão em suas mentes. O segundo fator
que torna possível o sucesso das pequenas empresas
é a parceria com universidades. Recentemente,
as universidades mudaram sua cultura, deixaram de desconfiar
das empresas para virarem suas parceiras. Por fim, conforme
explica o Prof. Chesbrough, o último fator relevante
é a redução da hegemonia dos Estados
Unidos em tecnologia. Atualmente, a inovação
é global, desse modo, para ter conhecimento e
tecnologia é preciso olhar para muitos países,
inclusive os pequenos.
Para aquelas empresas que ainda têm
uma perspectiva de inovação fechada passar
à inovação aberta, foram sugeridas
quatro etapas práticas: querer; encontrar; obter
e gerir. Assim, as empresas precisam sair em busca de
grandes idéias, vindas de dentro e de fora da
empresa. Devem ter flexibilidade. A missão, depois
disso, é de colaboração e conexão.
Esse é o novo paradigma “Open Innovation”.
A questão da proteção
da propriedade intelectual foi tema recorrente nas mesas
de debates, que contaram com a presença, além
de diversos empresários, de representantes do
governo como o diretor de inovação da
FINEP e o presidente do INPI. De acordo com o primeiro,
há volume de dinheiro significativo para ser
investido em inovação. Já no discurso
do presidente do INPI defendeu-se que a proteção
da propriedade intelectual é um meio e não
um fim. A finalidade é que o conhecimento possa
circular e que haja desenvolvimento produtivo no país.
Contudo, para que os inventores revelem suas idéias
é preciso que o ambiente para quem cria seja
mais vantajoso do que para quem copia. Essa é
uma das proteções dadas pela propriedade
intelectual. Já que a proteção
estabelece a circulação de conhecimento,
é possível buscar parcerias. A propriedade
intelectual é a base da inovação
aberta. Quem lucra com isso no final é a sociedade.
Finalmente, para garantir a proteção
da propriedade intelectual, o melhor mecanismo jurídico
ainda é a elaboração de contrato
entre os parceiros com cláusulas claras que não
ignorem a defesa da criação e a definição
de sua titularidade.
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